quinta-feira, 26 de julho de 2012

Série Migração: o fenômeno migratório no Brasil - Parte 3

A migração interna no Brasil

B) Migração Pendular


As migrações pendulares são os movimentos diários que envolvem o vaivém dos trabalhadores de sua residência até o trabalho ou serviço, normalmente localizado longe da moradia. Esse tipo de movimento envolve, portanto, a saída dos trabalhadores durante o dia da cidade onde mora para uma outra cidade, geralmente uma metrópole (grande cidade) onde trabalha.


Por exemplo, na região metropolitana de Belo Horizonte, há municípios como Ribeirão das Neves e Santa Luzia, que apresentam uma boa parcela de sua população trabalhando em Belo Horizonte. Isso significa que na maior parte do dia essas pessoas estão na capital mineira e só retornam à sua cidade no final da tarde, início da noite, para repousar e dormir. No dia seguinte, todo o processo ocorre novamente.

Esse tipo de cidade (como Santa Luzia e Ribeirão das Neves) que apresenta uma grande parte de sua população trabalhadora exercendo atividades em outro município, é chamada de cidade-dormitório.

O grande problema desse tipo de migração é o transporte (ônibus, trem, metrô), já que o transporte coletivo no Brasil há muito tempo vem sendo deixado em segundo plano, já que se dá prioridade ao automóvel particular. As camadas de renda mais baixa sofrem intensamente com esse problema: conduções precárias, altos preços das passagens, atrasos freqüentes, superlotação dos ônibus, trens e metrôs. Em alguns centros urbanos brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro e até Belo Horizonte, é comum haver pessoas que gastam três ou quatro horas por dia nesse movimento de vaivém pendular.


Situação hipotética retratando uma migração pendular



Maria é uma dona batalhadora. Todo dia ela acorda às quatro e meia da manhã e sai às cinco horas para trabalhar em Belo Horizonte. Na verdade, Maria mora em Ribeirão das Neves, município da região metropolitana da capital mineira, e como não tem muito emprego naquela cidade, vai para a metrópole trabalhar e só volta à noite. Ela chega em casa de volta quase às vinte e uma horas e no outro dia começa tudo de novo.

Série Migração: O fenômeno migratório no Brasil - Parte 2

A migração interna no Brasil



As migrações internas, entre áreas ou regiões do Brasil vêm ocorrendo desde a época colonial, embora tenham se intensificado a partir do século XX, notadamente, na segunda metade do século. Dentre essas migrações, destaque para dois subtipos: êxodo rural (campo para cidade) e pendular.


A) O Êxodo Rural


O êxodo rural ou migração campo-cidade é um dos mais importantes movimentos populacionais internos dos últimos tempos não somente no Brasil, como também em diversos países do mundo.


Para se ter uma idéia das proporções do êxodo rural no caso brasileiro, basta dizer que, no período 1950-2000, a população rural diminuiu de 64% para 19%, ou seja, o Brasil transformou-se de país essencialmente rural em país urbano. Observe a tabela a seguir, que mostra a população rural e urbana no Brasil, nesse período:




População rural e urbana no Brasil (1950-2000)





Em números absolutos, o contingente de brasileiros que vivem em cidades passou de cerca de 19 milhões em 1950 para quase 140 milhões em 2000, um aumento de sete vezes em poucas décadas.


Sem dúvida nenhuma, as cidades da região Sudeste do país (São Paulo e Rio de Janeiro, inicialmente, e em seguida, Belo Horizonte e outros centros industriais) foram as que mais receberam esse tipo de migrante. No entanto, tais cidades estavam despreparadas para receber esse grande número de pessoas, o que influenciou em diversos setores.


Por exemplo, os setores de atendimento às necessidades da população – escolas, hospitais, saneamento básico, moradias e empregos – não cresceram na mesma proporção das pessoas, o que transformou determinados espaços da cidade em um verdadeiro caos. Esses fatores levaram ao aumento do processo de favelização (favelas e cortiços), esgoto a céu aberto, ao aumento da violência e criminalidade, prostituição, subemprego e desemprego, dentre outros.


Essas metrópoles tornaram-se sinônimo de sofrimento e decepção para os migrantes que, hoje, cientes dos problemas urbanos e da impossibilidade de contorná-los, têm na volta para a casa o grande sonho, através da chamada migração de retorno.


Mas, quais as causas do êxodo rural? Por que as pessoas saíram do campo para a cidade?



Causas do Êxodo Rural


A industrialização é, sem dúvida, a principal causa do êxodo rural. O progresso gerado pela indústria faz com que as cidades exerçam grande atração sobre o homem do campo. Essa atração ocorre, basicamente, a partir da possibilidade de maiores oportunidades de melhoria de vida (emprego, profissões, etc.) e dos melhores serviços (assistência médica, saneamento, eletricidade, etc.) que a cidade oferece em relação ao campo. O problema é que muitas vezes as pessoas acabam vivendo em situações muito piores do que viviam no campo porque não conseguem acesso a todas essas questões.


Nem sempre porém, as pessoas abandonam o meio rural porque são atraídas pela cidade. Muitas vezes, ocorre o êxodo porque as pessoas são forçadas a abandonar o campo, ou seja, há causas repulsivas, que as expulsam. Por exemplo, mecanização do campo (substituição do trabalho humano por máquinas), causando desemprego; concentração das terras em mãos de uma minoria de proprietários; baixos salários; falta de escolas e de empregos; desastres naturais (secas, geadas, etc.); solos esgotados, etc.

Situação hipotética retratando o êxodo rural

Senhor Carlos agora é um morador da cidade grande. Ele foi para o Rio de Janeiro 35 anos atrás em busca de emprego e fugindo das péssimas condições de vida. Na zona rural de Caruaru (Pernambuco) não havia tratamento de esgoto, o hospital era muito longe e ainda por cima faltava água na maior parte do ano. Hoje senhor Carlos e sua família vivem na favela da Rocinha e parece que sua vida não melhorou tanto.

Série Migração: O fenômeno migratório no Brasil - Parte 1

A imigração para o Brasil


O Brasil é um país caracterizado, historicamente, pelo predomínio das imigrações, ou seja, da chegada de migrantes no país. Nosso país recebeu, ao longo do tempo, pessoas de cerca de 90 países, todos importantes para a formação de nossa cultura, sociedade e economia.


Destacam-se dentre os imigrantes os seguintes povos: portugueses, africanos, italianos, alemães e japoneses. Nas últimas décadas, migrantes de países vizinhos latino-americanos (Bolívia, Paraguai, Argentina) e também vindos da China e da Coréia do Sul chegaram ao Brasil em busca de oportunidades de trabalho em metrópoles como São Paulo.



A emigração de brasileiros


Especialmente nas duas últimas décadas, a emigração de brasileiros passou a merecer uma análise mais detalhada nos estudos sobre a nossa população.


Nos últimos tempos, não só a chegada de estrangeiros tornou-se menos significativa, como aumentou a quantidade de brasileiros que saíam em busca de melhores condições de vida e de trabalho em outros países. Estima-se que atualmente quase 2 milhões de brasileiros residem fora do pais, ou seja, são emigrantes.


Desse total, cerca de 1,5 milhão de pessoas emigraram oficialmente, ou seja, saíram do nosso país e se estabeleceram em outro, obedecendo às normas da legislação daquele país. Estima-se que outros 500 mil tenham realizado migrações não oficiais.


Esses emigrantes, que deixaram o país oficialmente ou não, se dirigiram para diferentes países, como Estados Unidos e Canadá (América do Norte), França, Itália, Portugal e Espanha (Europa), Japão (Ásia), Austrália (Oceania) e também aos países vizinhos latino-americanos (principalmente Argentina e Paraguai).

Série Migração: conceitos e tipos de movimentos migratórios

Todas as pessoas que realizam deslocamentos pelo espaço geográfico, sejam eles permanentes ou temporários, estão realizando uma migração e são chamados de migrantes.



Os movimentos migratórios podem se diferenciar segundo vários aspectos, dentre eles, o tempo de duração e o espaço de deslocamento .


As migrações definitivas, como o próprio nome indica, são aquelas que implicam num rompimento completo e definitivo com o país ou região de origem. Esse rompimento é difícil para o migrante que tem que enfrentar não só os problemas psicológicos e econômicos, como os de ordem cultural, uma vez que enfrentará condições de vida muito diferentes daquelas que vivenciou até o momento da migração.


Já as migrações temporárias acontecem quando os migrantes não pretendem se estabelecer definitivamente nos centros de atração, mas planejam o retorno ao ponto de origem quando as condições permitirem a volta às suas raízes.


As migrações podem ser classificadas também quanto ao espaço de deslocamento: migrações internas ou nacionais e migrações externas ou internacionais.


Quando o deslocamento humano ocorre de um país para outro, temos a migração externa ou internacional. Portanto, há a necessidade de se cruzar fronteiras entre países. Tal movimento tende a alterar a população total (absoluta) dos dois países.


Já a migração interna ou nacional é o deslocamento populacional que ocorre no interior dos países. Portanto, não há o cruzamento de fronteiras entre países. Nesse caso, não ocorre alteração do total de habitantes do país, mas altera o total de população das áreas envolvidas nesse deslocamento, que podem ser diferentes cidades ou estados.


OBSERVAÇÃO: A denominação FRONTEIRA se refere à delimitação que ocorre entre dois ou mais países diferentes (Brasil e Argentina, por exemplo); já a denominação DIVISA, se refere à delimitação entre dois ou mais estados (exemplo: MG e SP). Por fim, a denominação LIMITE, se refere à delimitação entre dois ou mais municípios, como Belo Horizonte e Contagem.


A saída da população de um local (cidade, estado, país, etc.) denomina-se emigração. Por outro lado, a chegada de população em um determinado lugar (cidade, estado, país, etc.) denomina-se imigração.


A pessoa que está se deslocando, por sua vez, é considerado emigrante, para o país de onde está saindo, e imigrante, para o país no qual está chegando.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Série Migrações

A partir de hoje, mais uma série aqui no Blog Geografia e Atualidades. Falaremos sobre as migrações. Então, vamos lá!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Rio + 20

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro. A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.

A proposta brasileira de sediar a Rio+20 foi aprovada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas, em sua 64ª Sessão, em 2009.

O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.

 

A Conferência terá dois temas principais:

  • A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza;
  • A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. 

A Rio+20 será composta por três momentos. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a III Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reunirão representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência. Em seguida, entre 16  e 19 de junho, serão programados os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentávell. De 20 a 22 de junho, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas.

Fonte: http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20    



segunda-feira, 19 de março de 2012

Morre Aziz Ab´Saber

Um dos maiores geógrafos brasileiros morreu neste último fim de semana. Trata-se de Aziz Nacib Ab'Sáber. A geografia brasileira perde muito com esse acontecimento.


A seguir, a reportagem publicada no site do Jornal Folha de São Paulo sobre o assunto:



Morre Aziz Ab'Sáber, decano da geografia física no Brasil
16/03/2012 - 14h30

DE SÃO PAULO


Aziz Nacib Ab'Sáber, pesquisador da USP e um dos maiores especialistas em geografia física do país, bem como uma voz ativa nos debates sobre biodiversidade e preservação ambiental, morreu na manhã desta sexta-feira, às 10h20, em São Paulo. Ele tinha 87 anos.

A informação foi dada pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), instituição que Ab'Sáber presidiu de 1993 a 1995 e da qual era presidente de honra e conselheiro.

Ab'Sáber morreu em casa. "Ele tomou café, sentou na cama e deu um suspiro. Morreu em seguida, foi fulminante", disse Nídia Nacib Pontuschka, irmã do geógrafo. Ela afirma que a causa da morte ainda não foi identificada, mas suspeita-se que tenha sido um infarto ou um derrame.


A SBPC confirmou que o corpo de Ab'Sáber será velado no Salão Nobre do prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo), das 19h às 22h. O velório será reaberto amanhã a partir das 8h e o enterro será às 11h no Cemitério da Paz, no Morumbi.


Ab'Sáber nasceu em São Luís do Paraitinga (SP) em 24 de outubro de 1924. Seu pai era libanês


Embora já estivesse aposentado, Ab'Sáber continuava publicando livros e sendo um observador arguto das controvérsias políticas envolvendo a questão ambiental.

Envolveu-se, por exemplo, com a discussão do novo Código Florestal, que pode alterar as áreas de preservação obrigatórias em propriedades particulares, nos últimos dois anos.


Segundo a SBPC, o geógrafo criticou o texto por não considerar o zoneamento físico e ecológico de todo o país, deixando de lado a importância da diversidade de paisagens naturais no Brasil.


O estudioso também chegou a sugerir a criação de um Código da Biodiversidade para implementar a proteção a espécies da flora e da fauna.


Ab'Sáber deixa cinco filhos, seis netos e um bisneto.


LAUREADO


O site da SBPC traz uma extensa lista dos prêmios recebidos por Ab'Sáber ao longo da carreira. Destacam-se o Prêmio Jabuti em ciências humanas (1997 e 2005) e em ciências exatas (2007), o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia (1999), concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a Medalha de Grão-Cruz em Ciências da Terra pela Academia Brasileira de Ciências; e o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente (2001), concedido pelas Nações Unidas.


REPERCUSSÃO


Segundo a presidente da SPBC, Helena Bonciani Nader, Ab'Sáber dava atenção especial aos estudantes e jovens pesquisadores.


"Ele era sempre ouvidos e se dedicava a todos, principalmente aos jovens. Conseguia transmitir para os estudantes a importância da ética e da moral como poucos. A gente brinca que ele era um aliciador de jovens para o saber. Perdemos um grande amigo e a ciência perde um batalhador, que sempre lutou por seus valores e pelo o que acreditava ser o melhor para o país."


Luiz Davidovich, membro da diretoria da ABC (Academia Brasileira de Ciências), diz ter recebido a notícia da morte de Ab'Sáber com grande pesar.


"Ele era um vulto da ciência nacional. Deu grandes e importantes contribuições para a geografia. Além disso, teve presenca marcante como cidadão, lutando sempre para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país."


Em nota, Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, afirmou que Ab'Sáber já fazia parte da história intelectual brasileira há muitos anos. "Agora ele entra para a eternidade, mas seu legado de centenas de trabalhos continuará a nos guiar pelos caminhos que conheceu como poucos, como os da geografia, da ecologia, da biologia evolutiva, da geologia e da arqueologia."


Ele disse ainda que Aziz era dono de uma lucidez irrequieta e de uma formidável capacidade de lançar ideias muito à frente do senso comum.


"Bom exemplo dessa característica de Aziz Ab'Saber foi seu posicionamento nas recentes discussões do novo Código Florestal, não para repetir clichês ou acentuar antagonismos, mas sim para propor a criação de um Código da Biodiversidade --avanço que um dia o Brasil certamente consolidará."


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também enviou uma nota, por meio de seu instituto, lamentando a morte do geógrafo. Eles estiveram juntos nas Caravanas da Cidadania, viagens que Lula, membros do PT, além de especialistas de diversas áreas, fizeram pelo país nos anos 90.


"Aziz Ab'Saber foi, sem dúvida, um dos maiores geógrafos que o Brasil já teve. Seu profundo conhecimento da geografia e seu compromisso inabalável com o povo brasileiro foram fonte de inspiração para todos nós. (...) Sua presença sempre ativa, crítica e opinativa foi fundamental e ajudou a construir muitas das políticas públicas brasileiras. E foi assim que ele se manteve até seus últimos momentos. Aziz deixará muita saudade, mas o conhecimento que ele transmitiu a todos nós continuará, com toda certeza, presente em nossas ações."


 http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1062853-morre-aziz-absaber-decano-da-geografia-fisica-no-brasil.shtml 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Chechênia e Ossétia do Norte: parte do território russo no Cáucaso

Com relação ao território russo no Cáucaso, como já foi dito, ele é formado por 8 repúblicas e regiões autônomas, dentre elas a Chechênia, o Daguestão e a Ossétia do Norte.

A Chechênia é formada, basicamente, por uma população que segue a religião islâmica. Devido à abundância de petróleo na região a república é uma área estratégica, visto que para se levar o “ouro negro” das enormes reservas do Azerbaijão, para o Mar Negro através do território russo, o caminho mais indicado para o escoamento do produto é um oleoduto que passa pelo território checheno. Sendo assim, é um local de passagem da Europa para a Ásia.

Os chechenos proclamaram sua independência sua independência da Federação Russa em 1991. No entanto, o governo de Moscou não a reconheceu e, em dezembro de 1994 ordenou uma intervenção militar. A possível independência da Chechênia abriria um pretexto para que as outras repúblicas também se tornassem independentes, o que acarretaria um “efeito dominó” e uma possível desintegração do território russo.

Vários atentados foram praticados pelos fundamentalistas chechenos na Rússia, culminando com a morte de milhares de pessoas, militares e civis. Em contrapartida o exército russo promoveu também um enorme massacre em vários pontos da região a fim de tentar enfraquecer a revolta: Grozni, a capital, local dos principais combates, foi virtualmente arrasada.

Um episódio que merece destaque é o que ocorreu em Moscou, capital da Rússia, em outubro de 2002 quando fundamentalistas chechenos invadiram um importante teatro nessa cidade, fazendo mais de 800 reféns e exigindo que o governo retirasse suas tropas da Chechênia. Depois que dois espectadores foram mortos, forças especiais russas invadiram o teatro, usando um gás extremamente tóxico para imobilizar os rebeldes. Resultado: cerca de 50 rebeldes são mortos, mas a substância também causa a morte de 127 espectadores que haviam sido pegos como reféns.

Em março de 2003, Moscou organizou um plebiscito na Chechênia e 95% dos votantes decidiram que a república deveria continuar fazendo parte da Rússia. Os rebeldes chechenos, que boicotaram o plebiscito acusaram Moscou de fraudar o resultado da votação.

Em maio de 2004, o então presidente checheno é morto em um atentado. No passado ele havia sido a favor da libertação da Chechênia, mas logo após ascender ao poder, passa a combater os grupos terroristas, o que pode ter feito aflorar um sentimento de revolta entre esses grupos, culminando no atentado. Logo após a morte do presidente o seu filho é indicado para suscedê-lo.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente russo Vladimir Putin vem se aproveitando da chamada “guerra ao terror” instituída pelo governo Bush, para identificar, sempre que possível, em seus discursos e entrevistas, todos os separatistas chechenos ao fundamentalismo islâmico global. Com isso, tem aprofundado a repressão e reduzindo as pressões internacionais contra a violação sistemática dos direitos humanos.

Por outro lado, os terroristas chechenos têm tomado o lugar dos líderes políticos separatistas, promovendo, em 2004, vários atentados suicidas, como os do metrô de Moscou (fevereiro), os que derrubaram dois aviões russos (agosto) e a bárbara invasão de uma escola na Ossétia do Norte (setembro).

A Ossétia do Norte é uma das repúblicas russas localizadas na região do Cáucaso. No início do mês de setembro de 2004, rebeldes chechenos invadiram uma escola em Beslan, uma cidade com pouco mais de 30.000 habitantes, a fim de exigirem a retirada das tropas russas da Chechênia e a libertação de todos os terroristas presos.

Depois de dois dias de negociação e de algumas mortes confirmadas, ocorre uma ação das forças de segurança da Rússia com o intuito de libertar mais de mil reféns, a maioria crianças e jovens, mantidos pelos extremistas. Entretanto, tal ação resultou na morte de cerca de 400 pessoas, entre estudantes, professores e pais de alunos.

Após a invasão, todos os terroristas acabaram sendo capturados ou mesmo mortos, mas a comoção e a tristeza tomaram conta não só da Ossétia do Norte, como também de toda a Rússia e, porque não, de todo o mundo. Alguns críticos e estudiosos chegaram a comparar esse episódio trágico da história recente russa aos atentados de 11 de setembro nos EUA.

Por enquanto, os problemas separatistas na Rússia não têm solução a curto prazo, principalmente se os terroristas continuares a agir com tanta frequência e com o alto grau de crueldade como se tem visto nos últimos anos.

A Rússia e a região do Cáucaso

A Federação Russa é o maior país do mundo em extensão e era uma das muitas repúblicas da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que se desintegrou no final da década de 1980 e início da de 1990. Por ter uma grande extensão territorial, a Rússia ocupa terras de dois continentes: Ásia e Europa, mas a maior parcela fica no primeiro.

O país, por ter uma enorme área, apresenta também uma significativa diversidade étnica (mais de 100 grupos) e religiosa (cristãos, muçulmanos, etc), que se expressam em seus vários “estados” ou repúblicas.

Uma das repúblicas mais problemáticas do ponto de vista da manutenção em território russo é a Chechênia, formada por uma população majoritariamente muçulmana (islâmica). Essa república declarou independência em 1991, fato que não foi recebido com bons olhos pela Rússia que passou a investir pesado em ataques militares na área.

Antes de falarmos com detalhes desse problema na Chechênia, é importante conhecer a região onde fica essa república e que está localizada na porção europeia da Rússia: a região do Cáucaso.


Região do Cáucaso

O Cáucaso é uma área montanhosa que apresenta grande complexidade étnica, nacional, religiosa e linguística. De forma genérica, o Cáucaso se estende por uma área que envolve conjuntos montanhosos, planaltos e vales fluviais compreendida entre os mares Negro e Cáspio.

Quanto aos Estados localizados na região pode-se fazer a seguinte separação: a parte sul, compreende a Geórgia, a Armênia e o Azerbaijão, países conhecidos como repúblicas do Cáucaso e que, até 1991, fizeram parte da antiga União Soviética. Com a desintegração da URSS, tornaram-se independentes e hoje são filiadas à Comunidade dos Estados Independentes (CEI); na porção norte, encontram-se 8 repúblicas e regiões autônomas que fazem parte da Federação Russa, dentre elas a República da Chechênia, o Daguestão e a Ossétia do Norte. Observe o mapa para entender melhor:

Províncias separatistas do Cáucaso
(http://migre.me/5ZxQe)


A Geórgia, a Armênia e o Azerbaijão são países que atualmente apresentam uma economia em fase de transição: só antigo modo de produção socialista para o capitalista. Alguns problemas são comuns a todos os três países, como a corrupção generalizada dos governos, o narcotráfico e a prostituição.

Recentemente, no ano de 2003, o então presidente da Geórgia, Eduard SheShevardnadze renunciou, deixando seu lugar interinamente para Nino Burdjanadaze, de 39 anos, a ex presidente do Parlamento do país. Uma das primeiras afirmações da nova presidente foi que o objetivo da Geórgia era “ser membro da família europeia, membro da aliança euroatlântica”.

Tal afirmativa é uma clara demonstração de que a Geórgia, como uma das antigas repúblicas soviéticas, está tentando transitar do antigo modo de produção socialista para o capitalismo e, acima de tudo, se inserir na nova ordem mundial marcada pela globalização. Para tanto, tem a pretensão de adentrar um dia na União Europeia, um dos principais e mais bem estruturados blocos econômicos do mundo atual.

Já o Azerbaijão, assim como a maior parte da região do Cáucaso, conta com boas reservas petrolíferas. No entanto, esse país não tem acesso a mares abertos e o petróleo extraído na região de Baku (a capital), junto ao Mar Cáspio (um mar fechado), tem que ser escoado através de oleodutos para mares abertos mais próximos, como o Negro e o Mediterrâneo.

Até 1991, o problema do escoamento praticamente não se colocava, visto que o petróleo era produzido no país, então uma das repúblicas da URSS e, portanto, os oleodutos e os portos que escoavam o produto estavam em território soviético.

Com a desintegração da URSS, o Azerbaijão ficou independente e passou a ser dono de seu petróleo. Entretanto, toda a região do Cáucaso, assim como os países da Ásia Central, vêm assistindo uma acirrada disputa pela construção e traçado de novos oleodutos e gasodutos que envolvem três protagonistas: os Estados produtores, os países desejosos em “ceder” seus territórios e portos para o escoamento dos hidrocarbonetos e, é claro, as grandes transnacionais do petróleo. Todo esse processo envolve uma série de interesses que, muitas vezes, não são convergentes.

 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Série África: Sudão do Sul

Mais um país é criado no mundo, mais especificamente no continente africano. Trata-se do Sudão do Sul, cuja capital é Juba. No dia 8 de julho de 2011 o território separou- se oficialmente do Sudão.


Localização do Sudão do Sul -
Fonte: Folha online


Essa separação foi o resultado de tensões que duraram décadas entre as porções norte e sul do país africano. Mais de 2 milhões de pessoas morreram no conflito que, além do aspecto territorial e econômico também tinha (ou ainda tem?) um forte apelo religioso.



Afinal de contas, a região norte, governada a partir da capital Cartum, apresenta uma população predominantemente muçulmana e de origem árabe. Já a porção que se separou é majoritariamente cristã e animista. Havia uma tentativa dos governantes do norte em impor a lei islâmica no sul, o que desagradava a porção meridional.


Com a independência, já reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e diversos países do mundo, inclusive o Brasil, o Sudão do Sul agora é governado pelo presidente Salva Kiir.


O presidente irá encontrar inúmeros problemas para tentar resolver, o que não será possível em um curto espaço de tempo. Segundo alguns dados levantados pelo site do jornal Estado de São Paulo, apenas 15% dos 9 milhões de habitantes sabem ler e a taxa de mortalidade infantil é uma das mais altas do planeta. Apenas 1% apresenta conta bancária e o país inteiro conta com apenas 320 quilômetros de estrada.

Petróleo: a salvação?


A questão do petróleo é uma das mais problemáticas na divisão do Sudão. A maior parte das reservas está localizada no agora Sudão do Sul, porém a maior parte da infraestrutura para refino e transporte fica no norte, como se pode ver no mapa abaixo:




Localização das reservas de petróleo, oleodutos e refinarias no Sudão e Sudão do Sul -
Fonte: http://www.dw-world.de/

O que irá acontecer a partir de agora? Como será realizada esta exploração? Com quem ficará a renda?

E o que é mais difícil de responder: como fica a questão social do novo país criado? Como este país, que já nasce como um dos mais pobres do mundo e com infraestrutura precária, poderá se desenvolver, crescer e proporcionar uma melhor condição de vida para a população? São perguntas ainda sem resposta, mas não devem deixar de ser respondidas, visto que há cidadãos que necessitam, acima de tudo, sobreviver.

Recomeçando...

É pessoal.... mais de um ano sem postar nada por aqui! Muita correria, mudanças na vida pessoal, casamento, enfim.... falta de tempo. Mas a partir de agora recomeçarei a colocar postagens e atualizar o blog. Afinal de contas, ele tem o título de Geografia e ATUALIDADES... hahahaha.


Bom, continuem lendo e comentando, sempre que possível! Obrigado!

sábado, 12 de junho de 2010

Começa a Copa do Mundo 2010

A Copa do Mundo 2010 de futebol começou, pela primeira vez, no continente africano. A África do Sul, país que já sofreu com as atrocidades do regime do Apartheid, foi o escolhido. 32 seleções das mais diversas partes do mundo se enfrentam em jogos que prometem ser emocionantes. Ao todo, 8 grupos com 4 seleções cada um compõem o campeonato. Os grupos estão divididos da seguinte forma:




O Brasil, como se percebe, terá como primeiros adversários seleções de três continentes: Portugal (Europa), Costa do Marfim (África) e Coréia do Norte (Ásia).


Nas próximas postagens, mais informações sobre esses países do grupo brasileiro. E aínda, um post especial sobre a África do Sul. Aguardem.....

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Série Energia: Energia Solar

A fonte mais abundante de energia para o planeta Terra é o Sol. É a mais simples e menos perigosa energia que a humanidade pode utilizar para o aquecimento e para a produção de eletricidade. Imagine só, todos os dias o mundo deixa de aproveitar uma quantidade fantástica de energia solar... quanto desperdício!

Ela está sendo utilizada em vários países, principalmente nos mais ricos e desenvolvidos, visto que já possuem tecnologia para o seu pleno uso e, é claro, mais recursos financeiros para bancar a instalação e manutenção.


O grande problema do aproveitamento dessa fonte de energia é a maneira como armazená-la. A tecnologia para as baterias solares ainda necessita de avanços e é muito cara.

No Brasil, a energia solar é mais utilizada para o aquecimento de água. É comum, principalmente nas grandes cidades, a presença de placas fotovoltaicas no telhado das casas e edifícios com o objetivo justamente de aquecimento da água dos chuveiros, torneiras, etc...




Belo Horizonte (MG) é uma das cidades que se destacam, com grande uso nas residências. O estado de Santa Catarina também merece destaque.

A energia solar tem, portanto, suas vantagens: é muito simples na obtenção; é considerada limpa, já que não há emissão de poluentes; é um recurso natural renovável.

Por outro lado, tem suas desvantagens: é relativamente cara para a instalação (custo elevado); apresenta dificuldade de armazenamento, dado ao pequeno desenvolvimento da tecnologia das baterias; dias nublados dificultam a captação.

domingo, 22 de novembro de 2009

Série Energia: Energia eólica

É a energia proveniente do vento (do ar em movimento). Já na Antiguidade o homem utilizava o vento como fonte energética, através dos moinhos de vento. Esses moinhos foram usados, dentre outras coisas, para bombear água para irrigação.


O sistema da usina eólica é simples. O movimento dos ventos é captado por pás de hélices gigantes que, ligadas a uma turbina, acionam um gerador elétrico.


É considerada a fonte energética que mais cresce atualmente no mundo (cresce cerca de 30% ao ano). Destaca-se como a principal potência eólica a Alemanha.


Algumas vantagens para o uso do vento para a geração de energia: grande potencial; não emite gases poluentes (é limpa); recurso natural renovável.


Como desvantagens pode-se citar: necessita de grandes investimentos, já que é cara; os ventos não são constantes, o que dificulta a produção; poluição sonora (o barulho é muito grande. +- 50 decibéis. O ouvido humano tem a capacidade de agüentar algo em torno de 40 decibéis); Deve ser implantada longe de áreas urbanas por causa desse barulho;


No Brasil, a produção é pequena, mesmo havendo um bom potencial, principalmente na região Nordeste. Em Minas Gerais, o primeiro local a se produzir foi na cidade Gouveia, com recursos da CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais), no alto da Serra do Espinhaço.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Série Energia: Carvão mineral - definições e produção no Brasil

O carvão mineral é um combustível fóssil natural extraído do solo por processos de mineração.
É um mineral de cor preta ou marrom prontamente combustível usado em alguns países para a geração de energia elétrica, aquecimento de alto-fornos de indústrias, etc....


Produção no Brasil

Brasil apresenta uma pequena reserva, localizada na região Sul, no chamado “S do carvão”. Essa área faz parte da Bacia Sedimentar do Paraná. A maior produção está em Santa Catarina (Criciúma – Lauro Muller – Siderópolis) e no Rio Grande do Sul (Bagé – Hulha Negra). No entanto, é uma produção pequena e o carvão possui qualidade ruim : devido à impurezas, cinzas, alta umidade, o que não é bom para as siderurgias. Sendo assim, o Brasil importa carvão mineral de melhor qualidade, principalmente as indústrias siderúrgicas mais modernas. Algumas, porém, misturam o carvão brasileiro ao importado no processo de produção do ferro e do aço

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Série Energia: Petróleo - definições e produção no Brasil

Combustível fóssil, líquido, formado a partir da deposição de material orgânico marinho (plânctons – microorganismos que vivem em suspensão nas águas); Obs: não é encontrado somente em áreas marinhas. Áreas continentais que já foram encobertas pela água do mar também podem apresentar o petróleo;

Importante combustível a partir do século XIX; É o mais utilizado atualmente; Dele se extraem vários subprodutos: gasolina, óleo diesel, querosene, gás de cozinha (GLP), asfalto, produtos químicos para a fabricação de plásticos e tintas.

Maiores áreas de exploração no mundo: Oriente Médio (+ de 50%, em países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes), EUA, Venezuela, África (Gabão, Nigéria Argélia, Líbia);

Os maiores países exportadores de petróleo formaram, no ano de 1960, a OPEP- Organização dos países exportadores de petróleo.

Objetivo: estabelecimento de cotas e preços mínimos no comércio do petróleo nos mercados mundiais;

Membros: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Bahreim, Emirados Árabes (Oriente Médio), Venezuela (América do Sul), Indonésia (Sudeste da Ásia), Gabão, Nigéria, Argélia e Líbia (África).
Produção no Brasil


O Brasil apresenta uma produção concentrada junto ao litoral:
RJ (Bacia de Campos); SP (Bacia de Santos); BA (Bacia do Recôncavo); RN (Bacia Potiguar); AL/ SE/ CE

Nosso país conseguiu em 2006/2007 passar a ser atendido em 100 % por reservas próprias, principalmente de sua Bacia de Campos. Isso deveu-se à entrada em operação da plataforma P-50, que passou a processar 200 mil barris por dia.

Recentemente foi descoberta uma enorme área com petróleo localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo. É o que se denomina Pré-sal, pois está localizada por baixo de uma extensa camada de sal. Veja o desenho abaixo:


Há mais de 6 mil metros foi encontrada essa reserva de petróleo, o que pode representar um grande avanço para o Brasil. Resta, no entanto, pesar os “prós e os contras” sobre essa questão. De um lado, sabe-se que a queima do petróleo e seus derivados provoca enormes problemas ambientais. Do outro lado, está o lucro que pode ser gerado com a exploração dessas reservas. O que vai pesar mais, o lado econômico ou o lado ambiental? É o que veremos....

domingo, 8 de novembro de 2009

Série Energia: O Petróleo está em toda parte?!

Pare onde está. Olhe ao redor. Você não vai enxergar um líquido negro jorrando do chão. Mas pode ter certeza de que o petróleo está na sua frente. Está em fórmulas diversas que deram origem à tinta do jornal ou das paredes, ao plástico do computador ou às fibras que estão em sua roupa. O petróleo é a matéria prima presente em todos os cenários da vida moderna. Ele está em todos os cômodos de sua casa, nas escolas, nos ambientes de trabalho, nas ruas e até no céu, como o querosene que abastece os aviões ou o náilon colorido dos paraquedas. Está na boca de todos, seja nos batons das mulheres, na parafina dos chocolates ou nos chicletes mascados por crianças e adultos. Está no chão, no asfalto. Nos eletrodomésticos, nos brinquedos, na fralda descartável, em cosméticos, em detergentes, nas sacolinhas do supermercado, nos pneus, na prótese dentária. O petróleo é o componente básico de mais de 6 mil produtos. A vida que se conhece hoje não seria a mesma sem ele.

É por essa riqueza escondida no dia a dia das pessoas que a descoberta de jazidas é vista como tão importante. Não é por acaso que são cobiçadas e desejadas por todos os países. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, observa que as pessoas tendem a associar o petróleo apenas a comobustíveis, como óleo diesel e gasolina. Mas não é só isso. “É um recurso mineral formado por diversos compostos. Pelo refino se transforma em matéria prima para vários produtos, como tintas, ceras, resinas, pneus, fósforos, borracha, chicletes, filmes fotográficos e fertilizantes. O plástico também tem petróleo e está em todo lugar. É um bem essencial, presente em todos os setores da vida dos cidadãos, pela vida afora”, afirma. Mas alerta: “É um bem finito e que pode acabar em mais uma ou duas gerações”. Isso, levando-se em conta o consumo atual.

(...) “É difícil imaginar a vida de hoje sem os derivados de petróleo”, afirma o professor de química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Valmir Fascio Juliano, que participa da coordenação do Laboratório de Ensaio de combustíveis. Vários produtos passam por transformações intensas, mas no fundo têm petróleo.

(...) De acordo com a Petrobrás, todo petróleo é uma mistura complexa de hidrocarbonetos, composta de diversos tipos de moléculas formadas por átomos de hidrogênio e carbono e, em menor parte, de oxigênio, nitrogênio e enxofre, combinados de forma infinitamente variável. Daí, os diversos tipos de petróleo encontrados na natureza e os diversos produtos que dele podem ser obtidos. Ao quebrar essa combinação de moléculas, o processo de refino separa o que a natureza levou milhões de anos para juntar, fracionando o petróleo para transformá-lo em derivados.

É a partir daí que o petróleo entra diretamente na vida de todos os consumidores do mundo, inclusive daqueles que andam a pé.



Fonte: Adaptado de Estado de Minas, Caderno Especial Pré Sal, 30/09/09
Autora: Graziela Reis

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Série Energia: fontes renováveis e não renováveis

As fontes de energia classificam-se em duas categorias principais:

- Renováveis
- Não-renováveis.

As fontes renováveis são as que nunca se esgotam porque podem ser obtidas a partir de recursos naturais considerados inesgotáveis (energia hidrelétrica, solar, eólica, biomassa e outras).

Já o petróleo, o carvão mineral, o gás natural, o urânio, dentre outros, são fontes de energia não-renováveis, porque são constituídos por recursos que existem em quantidade limitada no planeta e tendem a esgotar-se.

Portanto, as fontes de energia não-renováveis apresentam o problema de se esgotarem completamente daqui a algumas décadas ou séculos (conforme o caso). Além disso, normalmente elas provocam maior poluição que as fontes renováveis. Os combustíveis fósseis, tais como o petróleo e o carvão, são os mais poluentes de todos, tendo uma grande parte da responsabilidade pela poluição da atmosfera (emissão de CO2 – gás carbônico), dos solos, da água. E o urânio, pelo seu uso nas usinas nucleares, é a fonte de energia que oferece maior risco d
e catástrofes por acidentes.

As fontes renováveis, além de não se esgotarem, apresentam menores problemas de poluição. Os problemas são menores, mas existem.













Exemplos de fontes renováveis: solar, eólica, hidreletricidade

Exemplo de fonte não renovável: petróleo

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Série Energia : A evolução das fontes de energia ao longo da história humana

Energia é algo que tem a capacidade de realizar trabalho. Assim, utiliza-se energia para levantar um peso, para movimentar um veículo, para ferver a água, para a iluminação, para digitar esse texto, enfim...


Mas, como se deu a evolução das fontes de energia ao longo da história humana?


Tudo começou quando os seres humanos ainda moravam em cavernas. Nessa época, as formas de energia mais usadas eram a força muscular e o calor do fogo. Após esse período, há cerca de 8.000 anos, quando os animais foram domesticados passou-se a usar a força muscular animal para desenvolver tarefas cotidianas, como arar a terra e transportar peso. Dessa forma, o trabalho passou a render mais em um mesmo tempo.











Ao longo da segunda metade do século 18, houve a invenção das máquinas a vapor, originando as primeiras fábricas. Tal fato foi o pontapé inicial para variadas transformações socioculturais e econômicas que se sucederam e culminaram com a chamada Revolução Industrial.



Durante a Primeira Revolução Industrial, outra fonte de energia passou a ser utilizada, o carvão mineral. Altamente poluente esse elemento passou a ser um problema para o meio ambiente, mesmo que na época poucos se importassem com tal situação.

Já no contexto da Segunda Revolução Industrial (no final do século 19) foram criados os motores elétricos (que funcionam a partir da eletricidade) e os motores de explosão (que funcionam, basicamente, a partir de derivados do petróleo, como a gasolina). Além do uso doméstico e nas fábricas, esses novos motores aceleraram o desenvolvimento dos transportes, o que resultou em aumento da velocidade e da capacidade de transporte. Por outro lado, o uso do petróleo acelerou ainda mais alguns problemas ambientais, notadamente a poluição do ar.

















Atualmente, as pesquisas sobre novas fontes de energia, mais limpas e que não poluem tanto, empregam milhões de dólares todos os anos. Destacam-se como fontes promissoras, a energia solar (sol), eólica (vento), biomassa e o hidrogênio.



Série Energia

Pessoal, começo hoje a escrever diversas postagens sobre as fontes de energia, com ênfase no Brasil.
Portanto, nos próximos dias acompanhem a Série Energia aqui no blog. Começo hoje com um texto que mostra a evolução do uso das fontes de energia pelo ser humano ao longo do tempo. Boa leitura!!