quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Chuvas: destruição e morte em Minas Gerais

Em Minas Gerais o final do ano de 2008 e o início de 2009 foram marcados por muita destruição e morte. A principal causa para tais transtornos aparentemente está na imensa quantidade de chuva que caiu sobre o estado nesse período. No entanto, aliados a tal causa estão outros problemas que serão expostos logo a seguir. Antes, porém, um balanço do número de cidades e regiões atingidas, além das vítimas fatais.

Até o momento de escrita dessa postagem, pouco mais de duas dezenas de pessoas perderam a vida em decorrência da chuva, seja a partir do desmoronamento de residências localizadas em área de risco ou arrastadas pelas enxurradas.

Pelo menos 55 municípios mineiros decretaram situação de emergência devido às fortes chuvas e outros 39 comunicaram ocorrências ligadas às chuvas. As principais regiões atingidas foram a Zona da Mata, o Centro-Oeste e a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Municípios como Brumadinho (na RMBH), Muriaé e Ponte Nova (na Zona da Mata) e Divinópolis (no Centro-Oeste) contabilizaram perdas irreparáveis, seja em termos de vidas ou em relação aos recursos materiais. Prejuízos incalculáveis tanto na zona urbana quanto na rural.



Enchente em Ponte Nova - dezembro de 2008



Enchente em Brumadinho - dezembro de 2008


Em Belo Horizonte, na virada do ano, vários moradores não tiveram o que comemorar. Pelo contrário! O ribeirão Arrudas transbordou e alagou diversas casas e estabelecimentos comerciais nas regiões Oeste e Barreiro. Detalhe, no trecho da porção oeste do município o curso d´água não transbordava a cerca de 30 anos...


Enchente do ribeirão Arrudas em Belo Horizonte - 31/12/12 - 01/01/2009




Resultado da enchente em Belo Horizonte (1)


Resultado da enchente em Belo Horizonte (2)


Mas, o que está por trás de todas essas tragédias? A culpa é apenas e tão somente da grande precipitação, do enorme volume de água? Na verdade, não. Aliado a esse fato estão a falta de educação ambiental e atividades econômicas desenvolvidas de maneira equivocada.

Ao longo dos diversos cursos d´água que transbordaram vivem pessoas que, muitas vezes desinformadas, acabam jogando lixo e mais lixo nesses leitos. O resultado disso é que diminui a vazão dos rios e, conseqüentemente, quando as chuvas mais intensas ocorrem há o extravasamento de água para as laterais, atingindo as construções e vias de transporte.

As áreas que servem para escoamento das águas pluviais também sofrem com esse problema. Os bueiros, muitas vezes cheios de lixo jogado pela população, acabam não exercendo com eficácia o seu principal objetivo que é justamente escoar as águas das chuvas.

Esses dois exemplos retratam que, infelizmente, falta à população em geral a chamada educação ambiental. Não apenas no ensino formal deve-se aprofundar tal estudo, mas também fora da escola regular, afim de que seja estendida ao maior número de indivíduos.

Outro fato que está por trás de todas essas tragédias que abalaram os mineiros é o desenvolvimento de certas atividades econômicas de forma inadequada (sem levar em conta os princípios da legislação ambiental brasileira). Na RMBH e Zona da Mata mineira desenvolve-se uma pujante atividade de extração mineral. O resultado é que, em diversos locais, os cursos d´água acabam sendo assoreados pelos resíduos dessa extração. Em outras palavras, os rios, ribeirões e córregos ficam mais rasos, o que, combinado com as chuvas mais fortes acabam provocando inundações e, conseqüentemente, mortes e destruição. Foi o que ocorreu, por exemplo, em Brumadinho, Muriaé e Ponte Nova.

Portanto, não está apenas no grande índice pluviométrico a causa da tragédia em Minas Gerais na passagem do ano de 2008 para 2009. Está sim na combinação desse fator com a incipiente educação ambiental voltada à população e o desenvolvimento de atividades econômicas sem consonância com os princípios da legislação ambiental. Sem falar na falta de fiscalização por parte do poder público no que tange às construções em áreas de risco de desabamento e deslizamento. Todos esses fatores agravaram, sem dúvida, a tragédia.

5 comentários:

daniel disse...

atribuir os problemas de enchentes ao indice pluviometrico é muito facil... mas quando se fala em educaçao ambiental e agressoes ao meio ambiente,somo considerados utópicos.

"o homem é quem constroi seu proprio cemitério"

Murilo disse...

Ótimo texto e muito bem contextualizado, assim como este blog.


Além educação ambiental citada pelo Daniel, eu ainda acrescento a grande situação de miséria em que vive boa parte da população que, querendo ou não, influencia nessas catástrofes devido ao uso da terra (moradias em locais impróprios).

Jhonatan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jhonatan disse...

Paulo, realmente os índices de lapsos quanto a questão ambiental, tanto por parte das pessoas, tanto pelo governo que não cria um projeto educacional abrangente para essas pessoas se conscientizarem são elevadíssimos.
O que não entendi muito bem, ou melhor, você colocou dúvidas na minha mente, no que diz a Zona da mata, em Juiz de Fora por exemplo, há uma grande quantidades de indústrias têxteis, e em sua postagem, você mencionou mineiração na Zona da Mata.
É só em Juiz de Fora as indústrias têxteis?
Qual setor tem mais importância, o primário ou o secundário?

Paulo Braga disse...

Jhonatan, é o seguinte: na Zona da Mata mineira se destacam os dois setores da economia - primário e secundário. O primeiro principalmente em cidades como Juiz de Fora (indústria têxtil e outras mais); já o segundo (mineração) também tem sua importância, em especial a exploração de bauxita (usada para retirar o alumínio)em cidades como Muriaé e Miraí.