quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Brasil: país desenvolvido?

Foram divulgados no final do ano passado (2007) os novos dados do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mundial. Nesse novo ranking o Brasil passou a ser classificado como um país com alto grau de desenvolvimento. Mas, será mesmo? O que pode estar por trás desses dados?

Antes de responder a essas perguntas, é importante lembrar como o IDH é calculado, ou melhor, essa taxa leva em consideração quais variáveis?

O índice é calculado com base em dados que possam revelar o desenvolvimento econômico e social de um país, estado, região ou município. Dentre esses dados estão: a longevidade (ou expectativa de vida ao nascer, considerando as condições de moradia, saúde e alimentação); o grau de conhecimento (taxa de alfabetização de adultos e a taxa de matrícula nos três níveis de ensino – fundamental, médio e superior); o PIB per capita (produto interno bruto dividido pelo número de habitantes , considerando o poder de compra da população).

Após vários cálculos chega-se a um número entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, melhores condições sócio-econômicas esse país possui; quanto mais próximo de 0, piores condições.

Para um país ser classificado como desenvolvido de acordo com o IDH é preciso ter uma taxa entre 0,800 e 1. É o caso do Brasil no último IDH revelado - 2007, tendo como base dados do ano de 2005 - o país alcançou 0,800. Um país apresenta médio desenvolvimento quando seu IDH está entre 0,500 e 0,799 e baixo desenvolvimento com um índice entre 0 e 0,499.

No entanto é preciso voltar às duas indagações iniciais: O Brasil realmente já pode ser considerado um país desenvolvido? O que está por trás desses dados relativos ao IDH?

Quando se analisa em separado cada um dos dados os quais são necessários para o cálculo do IDH, basicamente, PIB per capita (economia), expectativa de vida (saúde) e alfabetização e escolaridade (educação), percebe-se que o Brasil apresentou avanços significativos na renda per capita. No entanto, esse é um dado ilusório, visto que envolve toda a renda produzida internamente no país dividido pelo número total de habitantes. Ora, esse dado mascara o grande abismo social que existe no Brasil, fato comprovado pela enorme desigualdade social e concentração de renda, situação já histórica (infelizmente). Resumindo, do que adianta ocorrer um aumento da renda per capita se isso não se traduz efetivamente em desconcentração de riqueza e, consequentemente, melhorias para a grande massa da população brasileira?


Nas outras duas variáveis, mais ligadas aos aspectos sociais (educação e saúde) o Brasil pouco avançou. Segundo o economista brasileiro Flávio Comin, assessor especial para Desenvolvimento Humano da ONU e um dos autores do relatório de desenvolvimento humano, alguns dados relacionados à saúde e educação do Brasil deixam muito a desejar, como por exemplo a mortalidade infantil. Segundo ele, a média brasileira de 31 mortes por mil crianças nascidas é maior do que na maior parte da América Latina, mas o indicador mais preocupante é a desigualdade entre as camadas mais ricas e mais pobres da população.
Enquanto entre os 20% mais ricos a mortalidade infantil é de 29 por mil, entre os 20% mais pobres salta para 83 por mil. Quer dizer, mais uma vez está refletida a enorme desigualdade social brasileira.


Como o país pode ser considerado como de alto desenvolvimento humano se ainda existem essas mazelas sociais e econômicas??? Sendo assim, termino essa postagem com algo que sempre tento passar em minhas aulas: temos que ter consciência crítica para analisarmos determinados dados, taxas, índices, notícias, discursos políticos....

8 comentários:

Vinícius disse...

Mto bom o seu texto!
Sou aluno do primeiro ano e gosto muito de geografia.
Estava exatamente procurando esclarecer essa confusão que havia se formado em minha mente, pois há pouco tinha visto esse "salto" do Brasil no IDH.

Realmente, pesquisas para determinar o grau de desenvolvimento nem sempre correspondem exatamente a realidade... nós temos que interpretar os resultados.

Jaime Vega disse...

Gostei de seu texto.
Será que não se poderia analisar também a questão das redes de proteção social que estão mais presentes nas metrópoles brasileiras e o que elas representam para o IDH.
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Antes quando o Brasil era rural, tais serviços de fato detinham maior dificuldade de acesso.
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Hoje no Brasil mais urbano que rural, tais redes tem maior acesso, as pessoas com ou sem renda tem mais serviços a disposição, a exemplo: restaurantes de 1 real (contra a fome), saúde - mesmo que precária em algumas localidades, mas existe, escolas - mesmo que algumas sejam de lata, são escolas. No sertão no nordeste, a fome e a inexistência de centros de saúde matam mesmo, escola nem se fala de sua existência por lá.
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Quantas pessoas no Brasil hoje vivem em cidades?
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Quantas antes viviam nestas cidades em relação à população rural?
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O que isso significa em acesso à água, serviços e possibilidades de melhor IDH?
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Em boa parte da África, Bangladesh, países considerados de 3. Mundo, vivendo guerras, fome, doenças, pobreza absoluta, a realidade da MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO, é muito diferente da do Brasil. Não há comparativo, basta viajar e ver. Do ponto de vista deles, o Brasil é uma super potência desenvolvida.
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Se hoje temos mais da metade da população atendida por redes de proteção social, e a outra, iniciando este atendimento, é algo relevante em relação à realidade mundial, onde o topo da piramide é muito pequena e acredito que o Brasil não pode ser considerado como país miserável. Observem, mesmo que os bolsões de miséria existam espalhados em todo o território e que estes nos chamem a termos ações para redimi-los, a maior parte do território e da população hoje goza de condições de vida invejáveis em comparação a reais países miseráveis.
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Índice IDH de desenvolvimento, é muito melhor do que dizer 3.Mundo dada a vala comum na qual países como Brasil, Uruguai, Chile, Grécia, Turquia, Africa do Sul, foram colocados juntos com Bangladesh, Congo, Quenia, Coreia do Norte, etc. (até a década de 80 tanto Grécia, Portugal, Espanha e Itália, viviam condições que os caracterizavam mais como de 3.Mundo do que com a Europa desenvolvida, tiveram que melhorar muito, mas ainda hoje, como na Grécia, os centros detêm invejável infraestrutura, mas o país ainda não é uma Inglaterra, muito menos uma Alemanha, que são de longe mais bem desenvolvidos, por lá, as pessoas destes paises, Portugueses, Espanhois do Sul, Sicilianos, Gregos, Turcos, são considerados como os Nordestinos ao virem para o Sul do país em busca de trabalho. Por quê, porque a Europa não é uma massa homogênia, detêm suas desigualdades, mesmo que menores, imaginem considerar a Servia, a Croácia, países desenvolvidos só por estarem na Europa, na crua realidade estão em situação hoje pior do que o Paraguai daqui. Basta ir e conferir, salários, redes sociais e infraestrutura existente, tudo em construção.
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Hoje estes países acima citados detêm graus de desenvolvimento distintos e distintos ainda mais dentro de cada país. O Brasil será que está mais para desenvolvido ou para miserável?
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Anônimo disse...

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Muito bom esta postagem estava procurando informações sobre o assunto me ajudou muito.Realmente temos de analisar muito as informações que nos são passadas,ver a real e verdadeira situação do Brasil em especial mas não só do Brasil precisamos ver de muitos países como a Africa.

Anônimo disse...

Acho que os estados do SUL e do SUDESTE do BRASIL podem ser considerados desenvolvidos. mas também acho, que em poucos anos os demais estados do país podem se desenvolver, economica e socialmente, a ponto de elevar seus índices de avaliação. com isso, a média nacional se eleva, e aí, poderemos ser considerados um país desenvolvido.